Perto de cruzar o semáforo, o sinal fica vermelho. Na direção do Grand C4 Picasso, um flanelinha já arregaça as mangas para limpar o pára-brisa. Faz cara de preguiça e brinca ‘esse é grande, hein, madame’. Grande não, enorme. Tanto que para diminuir um pouco da área envidraçada, a Citroën criou um pára-sol deslizante para motorista e passageiro.
Grande não só na visibilidade, mas no interior. São sete lugares com assentos individuais que podem ser totalmente rebatidos, levando a capacidade de carga de 208 para 1.951 litros, com os sete bancos e só com os assentos dianteiros, respectivamente. Grande não só no interior, mas na quantidade de porta-objetos: na parte de cima do painel há dois, na parte de baixo, o porta-luvas e um compartimento refrigerado, fora os espalhados pelo veículo.
A lista de itens de itens de série compreende airbag de joelho para o motorista, frontais, laterais e de rede para os passageiros dianteiros (segunda fila de assentos conta com os de rede também), sensor de chuva e estacionamento dianteiro/traseiro, faróis com lavador e acendimento automático, freios com ABS e controle de estabilidade, retrovisor eletrocrômico, retrovisores com iluminação na parte de baixo e trio elétrico (acionamento elétrico dos vidros, retrovisores e travas). Outros mimos são dispostos pelo veículo: cortina para os assentos traseiros, lanterna no porta-malas e bandeja atrás dos bancos dianteiros com iluminação.
Partilhado com outros modelos, conjunto mecânico deve atualização
Grandeza, porém, não pode adjetivar o que vai por baixo do capô. O mesmo 2.0 ultrapassado que serve ao irmão três-volumes C4 Pallas e ao primo Peugeot 307 é pequeno para arrastar esta minivan de 1.560 quilos. Mesmo com uma modificação no software para ter respostas mais imediatas em função do seu tamanho, de acordo com informação da Citroën, um carro tão moderno merecia um conjunto mecânico do mesmo nível.
O 2.0 16V movido somente a gasolina desenvolve 143 cv de potência a 6.000 giros. O torque máximo, atingido a 4.000 rotações, é de 20,4 kgfm. Desempenho não é a principal qualidade que pode se esperar de um modelo deste segmento, mas, neste caso, conta quando o carro está carregado ou prestes a vencer uma ladeira íngreme; se a situação soma os dois casos anteriores, é preciso pisar com força no pedal. O freio de mão tem acionamento eletrônico e, para desativá-lo, basta pisar no acelerador. O C4 Picasso conta com um mecanismo no sistema de freios que impede a movimentação do carro em subidas, ou seja, entre o tempo de o motorista tirar o pé do acelerador e colocá-lo no freio, o veículo não se move.
O câmbio, cuja alavanca está localizada na coluna de direção, é automático com opção de trocas manuais. Para um veículo deste tamanho, esta vantagem parece não ter muita funcionalidade, já que o desempenho não apresenta grande diferença em comparação ao modo Drive. No início, o motorista tem de acompanhar as mudanças básicas (neutro, drive e ré) por meio do computador de bordo – que muda de tonalidade (azul) de acordo com o gosto do motorista - para seguir em frente, já que é possível fazer confusão em meio as trocas.
Tecnologia surpreende mais que espaço
Não só no tamanho, o Grand C4 Picasso também é exagerado nas inovações tecnológicas. Para alguns, eles são motivo decisivo de compra para um carro com esta faixa de preço – a partir dos R$ 89.800, com único opcional o teto solar panorâmico (já há concessionárias cobrando ágio) – para outros, podem significar desembolsar uma boa quantia a cada manutenção quando o carro atingir uma certa idade.
Uma das novidades foi feita especialmente para aqueles que já imaginam o trabalho que dá estacionar o carro. Por meio de um botão no volante – que possui o cubo central fixo e traz a maior parte dos comandos -, um sensor analisa a vaga na qual o motorista pretende estacioná-lo. Por exemplo, se o condutor encontra uma vaga ao lado esquerda da via, ele aciona a seta e aperta o ‘P’. Uma mensagem é enviada dizendo se o espaço é suficiente. O número de manobras, porém, não será baixo, já que o diâmetro de giro é pequeno. Durante a noite, algumas linhas de luz indireta iluminam algumas partes do veículo, assim como pontos de iluminação pela cabine do carro.
O Grand C4 Picasso é importado da Espanha para atender a um nicho de mercado que tem demonstrado crescimento no País, o de minivans de luxo. Fazem parte deste segmento o recém lançado Renault Grand Sénic, o Mitsubishi Grandis, a Chrysler Town & Country e a Kia Carnival, sendo as últimas com preços superiores aos R$ 140 mil.
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