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Uma volta de Civic de 200 cv da Fórmula Indy

Veja como se tira a civilidade do Honda para acompanhar o ritmo dos carros de competição

21/06/2012 - Thiago Moreno, de Indaiatuba (SP) / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros

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Entre as provas do automobilismo, o carro que segue à frente dos outros em momentos críticos é chamado de pace car ou carro-madrinha. Na São Paulo Indy 300, etapa brasileira da competição realizada em abril, um Honda Civic recebeu a responsabilidade de liderar o “rebanho” de corredores nas ruas do Sambódromo, na capital paulista, durante as bandeiras amarelas.

Para tal função, no entanto, a organização da Indy tem parâmatros mínimos para aceitar um modelo como carro madrinha. Um deles é a potência mínima de 200 cv no motor para que o veículo não atrapalhe o ritmo dos carros da Indy. E como se faz para transformar um modelo de produção em um guia de prova?
Pouca alteração com muita diferença

Um Civic normal tem 140 cv provenientes no motor 1.8 flex, com etanol. A Honda incumbiu as oficinas Way Motorsports e Suspentécnica de transformar uma versão LXS e uma LXL em modelos merecedores do título de carro madrinha. A motorização original saltou para 270 cv de potência, enquanto o torque de 27 mkgf, a partir dos 3.500 rpm, se mantém até os 7.200 giros (a versão original tem 17,7 mkgf com etanol). E por que dados apenas com o combustível vegetal? É ele que move essa versão modificada do Honda Civic.

Modificações, aliás, que foram poucas, mas direto ao ponto: apesar de ter quase dobrado a potência em relação ao original, o propulsor não saiu do carro em momento algum. Além do remapeamento da central eletrônica, foram adicionados novos tubos na admissão e no escapamento. Uma turbina pequena, com pressão de 350 g, foi adicionada para ajudar no resultado final. Perguntada sobre a performance resultante nos carros, a Honda se limitou a dizer que “o modelo foi feito apenas para antender às nescessidades da Indy”. Como o carro manteve as características originais, a central eletrônica limita a velocidade máxima a 215 km/h.

Como nem só de potência vive o carro madrinha, os modelos receberam suspensões esportivas que rebaixaram os dois Civic em 35 mm. Os freios originais a disco de 280 mm de diâmetro foram substituídos por um conjunto de 300 mm perfurado feito em aço carbono. Já as rodas e os pneus utilizam as medidas do antigo Honda Civic Si: 17 polegadas e medida 215/45, respectivamente.

Por fora, além das luzes de sinalização e da envelopagem especial para a corrida, o modelo recebeu aerofólios dianteiros e traseiros, além de saias laterais, da linha Honda Access, que vende acessórios originas para os modelos da marca. Por dentro, a Indy exige bancos em concha com cinto de competição de cinco pontos para os da frente. O Civic especial, porém, pode levar até quatro pessoas, sendo que o banco traseiro recebeu cintos de quatro pontos.

Andando à frente 
O iCarros andou na versão LXS manual e na versão modificada do Civic no circuito da Fazenda Capoava, em Indaiatuba (SP). Com roupagem “civil”, o sedã da Honda já responde bem às investidas do pé direito e, graças à suspensão traseira multilink, o modelo não tem medo de curvas. Levado ao limite, no entanto, nas transferências de peso durante a transição de uma curva para outra, a carroceria balança. Nas mudanças de direção mais fechadas, os pneus dianteiros gritam em busca de tração.
A diferença para o Civic Madrinha começa na posição para dirigir. O banco do tipo concha atrapalha a entrada e saída, mas não estão ali para o conforto e sim para manter o piloto preso ao assento. Ao virar a chave, um ronco grave, mas discreto, avisa o motorista que ele ele não está mais a bordo de um carro comum.

Até os 3.500 rpm, exceto pelo barulho do escape, o carro se comporta normalmente. A partir daí, os dutos de admissão começam a assoviar e dão um toque: a turbina vai abrir. Quando isso acontece, a rotação do motor sobe rápido, assim como o ruído e a velocidade. Nas curvas é que se vê, porém, a maior diferença em relação ao Civic normal. Percorrendo o trajeto na mesma velocidade, os Civic da Indy nem se dão conta das curvas. O agarre na pista é bem melhor, o carro não torce e os pneus não reclamam. Com o pé fundo no acelerador, os passageiros são jogados para trás sem o menor compromisso. Divertimento garantido para os apaixonados por velocidade ou uma carona rápida para os boxes.

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